Efisica

O conceito de tempo entre os filósofos desde a antiguidade

E a final, o que é o tempo? O tempo sempre foi tratado como um conceito adquirido por vivência, indefinível em palavras. A concepção do tempo tem sido muito discutida desde o início da cultura ocidental, até hoje.

Parmenides (530 - 460 a.C.) defendia o ponto de vista de que todas as transformações que observamos no mundo físico resultam da nossa percepção, isto é, de um processo mental. Elas, de fato, não ocorreriam. A realidade para Parmenides seria ao mesmo tempo indivisível e destituída do conceito de tempo.

Um dos discípulos de Parmenides, Zenon de Eleia (505 - ? a.C.), apresentou alguns paradoxos sobre o tempo, dos quais o mais famoso é aquele do corredor Aquiles e da tartaruga. Esses paradoxos tinham a intenção de questionar o conceito de tempo. No caso de Aquiles e a tartaruga, Zenon procura provar que o movimento é impossível se o tempo puder ser subdividido indefinidamente em intervalos cada vez menores.

O paradoxo consiste no seguinte: o corredor Aquiles persegue uma tartaruga. Os dois iniciam o movimento num determinado instante de tempo. Para cada distância percorrida pelo corredor a tartaruga avançaria certa distância. Por exemplo, quando o corredor atingisse o ponto do qual a tartaruga partiu ela já estaria a uma outra distância. Quando o corredor atingisse essa distância a tartaruga estaria numa outra posição. E assim por diante. Não seria pois possível ao corredor alcançar a tartaruga. Este paradoxo tem solução!

Platão (427 - 348 a.C.) afirmou que o tempo nasceu quando um ser divino colocou ordem e estruturou o caos primitivo. O tempo tem, portanto, de acordo com Platão, uma origem cosmológica.

Platão procura estabelecer a distinção entre o "ser'' e o "não ser''. O mundo do "ser'' é fundamental e não está sujeito a mutações. Ele é, portanto, eternamente o mesmo. Este mundo, entretanto, é o mundo das idéias, apreensível apenas pela inteligência e pode ser entendido utilizando-se a razão. O mundo do "não ser'' faz parte as sensações, que são irracionais, porque dependem essencialmente de cada pessoa. Para Platão este mundo é irreal.

O domínio do tempo estaria nesse segundo mundo, assim como tudo o que se observa no universo físico, tendo assim uma importância menor. Talvez possa ser dito que para Platão o tempo essencialmente não existe, uma vez que faz parte do mundo das sensações.

A filosofia oriental parece ter sustentado que o tempo, bem como o espaço, são construções da mente humana.

Aristóteles considerava importante o mundo observado e entendia a noção do tempo como intrínseca ao Universo. Na filosofia aristotélico o mundo existia na forma de seu modelo cosmológico geocêntrico (a Terra estática no centro dos outros astros) desde sempre. Aristóteles, como a maioria dos pensadores gregos da época, não acreditava na idéia de um momento inicial da criação do Universo, que foi dada para o mundo ocidental pela tradição judaico-cristã.

Esta questão de tempo cíclico ou não cíclico, portanto, aparece como uma das questões relativas às características do tempo desde as origens da ciência ocidental. Esta idéia apareceu naturalmente em função dos inúmeros fenômenos periódicos na Natureza: as marés, as estações sazonais, os dias sucedendo as noites, e assim por diante. Esses fatos conhecidos desde as civilizações mais antigas, sendo evidentes fenômenos cíclicos, levaram as civilizações primitivas, bem como os pensadores da Antigüidade a imaginarem que o tempo também seria circular, ou seja, a Natureza evoluiria de forma a se repetir.

O tempo cíclico dos gregos derivava também da idéia de perfeição, sempre presente na filosofia natural grega. Essa mesma idéia os induziu à escolha do círculo, uma figura perfeita, para a trajetória dos corpos celestes. Em seu "Física'' Aristóteles afirma que "existe um círculo em todos os objetos que tem um movimento natural. Isto se deve ao fato de os objetos serem discriminados pelo tempo, o início e o fim estando em conformidade com um círculo; porque até mesmo o tempo deve ser pensado como circular".

Outros pensadores, os estóicos, acreditavam que sempre que os planetas voltassem à sua posição original, a qual seria o início do tempo cósmico, o Universo recomeçaria de novo. Muitas e muitas vezes, portanto.

Os estóicos eram filósofos seguidores da doutrina chamada estoicismo que é caracterizada pela consideração do problema moral, e que tinha como ideal atingir a felicidade suprema pelo estado de alma em equilíbrio e moderação na escolha entre os prazeres sensíveis e os espirituais. São representantes ilustres dos estócios os gregos Zenão de Cicio (340-264 a.C.) e Cleanto (séc. III a.C), e os romanos Epicteto e Marco Aurélio (121-180).

Os Maias da América Central acreditavam igualmente num tempo cíclico. A história se repetiria depois de um período de 260 anos, o lamat dos Maias.

A idéia de um tempo linear, sem retornos, parece ter sido defendida apenas pelos hebreus e os persas zoroastras. Essa filosofia foi incorporada pelos cristãos.

Os cristãos introduziram a crença em acontecimentos únicos, como por exemplo a crucificação e ressurreição de Cristo. Estes fenômenos não se repetem. Também o apocalipse descreve o fim de um mundo, indicando que haverá o encerramento de um ciclo que não se repete mais.

No século IV, Santo Agostinho respondia à indagação sobre o que é o tempo da seguinte forma: ``se ninguém mo perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei''.

O mesmo filósfo cristão, Santo Agostinho, divagou sobre o conceito do tempo nos seguintes termos: "ouvi dizer a um homem instruído que o tempo não é mais do que o movimento do Sol, da Lua e dos astros. Não concordei!!! Porque não seria antes o movimento de todos os corpos? Se os astros parassem e continuasse a mover-se a roda do oleiro, deixaria de haver tempo para medirmos as suas voltas? Não poderíamos dizer que estes se realizam em espaços iguais, ou, se a roda umas vezes se movessem mais devagar, outras depressa, não poderíamos afirmar que umas voltas demoravam mais, outras menos?''

A questão da realidade do tempo levou vários filósofos a elaborarem idéias a respeito da mesma. Para Kant (1724-1804), por exemplo, o tempo, apesar de ser essencial como parte da nossa experiência, é destituído de realidade: "tempo não é algo objetivo. Não é uma substância, nem um acidente, nem uma relação, mas uma condição subjetiva, necessariamente devida à natureza da mente humana.''

Uma possibilidade, para essa teoria do subjetivismo do tempo é negar a sua realidade. Essa negação se encontra em trabalhos de filósofos tão antigos quanto Parmenides e Platão, como mais recentes como Hegel(1770-1831) e Spinoza (1632-1677).

Boltzmann, que era físico e viveu entre 1844 e 1906 atacou a visão subjetiva do tempo e as complicações introduzidas, de acordo com ele, pelos filósofos.

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