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[] Um Panorama da Física Médica e suas Perspectivas no Brasil [O. Baffa;  D.B. de Araújo] 

Um Panorama da Física Médica e
suas Perspectivas no Brasil
Oswaldo Baffa;  Dráulio Barros de Araújo

Faculdade Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto

Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP
 

Afinal, o que é Física Médica? Para respondermos a essa questão temos que analisar brevemente como a pesquisa científica era realizada, em sua quase totalidade, até bem pouco tempo atrás. Na tentativa de aprofundar o conhecimento, várias áreas de pesquisa seguiram um caminho de especialização crescente, alcançando um alto grau de isolamento a pesquisadores alheios a essas áreas. Esse modelo parece estar se esgotando, pelo menos em algumas áreas do saber, cedendo espaço a estudos interdisciplinares, multidisciplinares e transdisciplinares. Mais que isso, áreas completamente novas têm surgido nos últimos anos como uma forma de romper esse isolamento. A interdisciplinaridade seria a junção de duas áreas para realizar pesquisas que não poderiam ser realizadas isoladamente por nenhuma das duas. Na multidisciplinaridade temos o mesmo fenômeno, porém,com mais de duas áreas. Já na transdisciplinaridade temos várias áreas se juntando, dando origem a uma nova área de pesquisa. Na área da física, podemos citar como exemplos de interdisciplinaridade: a físico-química, a biofísica, a física médica e outros temas deste volume.

Veja que esse movimento em direção à interdisciplinaridade não é novo. Grandes cientistas do passado fizeram colaborações importantes tanto nas ciências biológicas quanto nas ciências exatas. Um exemplo foi Hermann Von Helmholtz (1821–1894). Além de ter contribuído sobremaneira em diferentes áreas de física, desde a conservação de energia até teorias do espaço não-euclidiano, ele ainda desenvolveu o oftalmoscópio, o ceratômetro, tendo se dedicado, ainda, ao entendimento de processos de audição. Temos uma primeira idéia do espírito da Física Médica, podendo ele, Helmholtz, ser considerado um de seus pioneiros. Os conceitos e instrumentos desenvolvidos por Helmholtz são utilizados até hoje, rotineiramente, na oftalmologia.

O primeiro prêmio Nobel de física foi atribuído em 1901 a Wilhelm Konrad Roentgen (1845–1923), pela descoberta dos raios X em 1895. Com essa invenção tem início um extenso campo de aplicações da física à medicina. Não demorou muito para a ampla utilização dessa descoberta, devido à possibilidade de se examinar o interior do corpo humano sem a necessidade de uma intervenção cirúrgica. Com o tempo, os efeitos deletérios da radiação começaram a aparecer, indicando a necessidade de pesquisas sobre sua interação com os seres vivos.

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